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O ano era 1982.
Meu pai havia trocado de emprego e nós agora morávamos a 990km de casa. Sim, porque Vitória, não era nossa casa. Nossa casa era São Paulo, nós só morávamos lá. Iríamos voltar para casa.
Veio a Copa do Mundo e o tradicional clima de oba-oba. Eu tinha só sete anos, e por isso não entendia nem precebia muito bem o que estava acontecendo. Em 78 eu nem sonhava com Copa. 82 seria a minha primeira Copa do Mundo.
Começa a Copa. O Brasil vence. As ruas se enchem de carros.
No apartamento, nós estávamos felizes. Nas ruas todos estavam felizes.
Pela primeira vez eu começava a perceber (e sentir) que toda aquela gente talvez não fosse tão diferente de nós, apesar do sotaque (e das chacotas), apesar de saberem nadar (enquanto eu tinha medo do mar), apesar de terem primos, tios e parentes - enquanto os meus estavam a quase 1000km.
Éramos todos brasileiros.
Os jogos e os bons resultados se sucederam.
Festa no apartamento. Festa nas ruas.
Eu já começava a me sentir parte daquele lugar.
Aí veio a Itália. Vestindo camisas azuis e calções brancos.
Nunca vou esquecer. Nunca vou superar.
Eu era só um garoto de 7 anos.
Morando longe da minha cidade.
Sem amigos, sem primos. Só o pai, a mãe e minha irmã.
Mas a Squadra Azzurra não fez caso de mim, da minha fragilidade.
O "maledeto" do Paolo Rossi fez o que não se faz. Frustrar uma criança.
Itália 3 X 2 Brasil
Nesse dia não teve festa, não teve carreata, não teve corneta.
Saímos para rua, eu e meu pai depois do jogo, e de novo éramos só nós.
Paulistas numa terra estranha.
Depois daquele dia houveram outras camisas azuis no meu caminho, França-86, Argentina-90, França-98, Cruzeiro e Boca-Juniors contra meu Santos. Mas nunca (nunca, nunca,nunca) doeu tanto quanto no Sarriá.
Ontem?
Ontem nem doeu. Não mudou nada.
Eis que continuo odiando azul.